Dois tabus: um campeão. Mocidade E.C 2 x 1 Botafogo Vl. Sta. Catarina – A História
- Dia de Jogo

- 5 de nov. de 2018
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Na final da Copa Republicana, Botafogo abre o placar, mas fica com um a menos e vê o MEC virar. Com o 2 x 1 feito na sexta (2) o MEC conquista título inédito e o jejum botafoguense continua.

Dia de final é um espetáculo à parte: tudo que envolve uma final consegue tocar o emocional. Na chegada ao estádio a apreensão botafoguense é nítida. Diretores e jogadores estão com um semblante misto de ansiedade, confiança e nervosismo — não é pra menos. O time da Vila Santa Catarina não chegava a uma final há 25 anos.
O time do Mocidade da Vila da Paz já chega mais tranquilo: estão mais acostumados com disputas finais. O discurso é de respeito ao adversário, porém buscam o título inédito da Copa Republicana, já que, quando chegaram nas finais, sempre saíram derrotados. Em suma, um título inédito para os dois times: o jogo vale muito.
As duas torcidas começam a chegar em peso. Ônibus, carros e motos com os torcedores chegam ao estádio. A festa é linda. Emoção e apoio para os dois lados: a torcida alvinegra traz a alegria de uma possível quebra de tabu, uma união sentida por todos que passavam perto da arquibancada onde eles se alocaram. A alvirrubra traz a confiança de títulos conquistados recentemente (sendo o mais importante a Super Copa Pioneer, cujo time é o atual campeão). A satisfação das duas torcidas é visível e, certamente, não medirão esforços para tentar mudar o jogo.

Do lado de fora dos vestiários ecoam palavras de incentivo, pedem personalidade e a união dos jogadores.
Tivemos acesso ao vestiário do Botafogo. Todos os dirigentes dão uma palavra, o técnico demonstra confiança e otimismo: “dá para ganhar”. Os jogadores olham um nos olhos dos outros como se pedissem: “corram por todos nós”.
Na saída para o campo, o técnico do Mocidade nos diz: “não se é campeão sem jogar, vamos entrar para ganhar”. As duas equipes entram em campo ao som da festa da torcida e luzes pirotécnicas. Botafogo vem de preto com detalhes em branco e o MEC (Mocidade Esporte Clube) de vermelho com detalhes em branco.


Momento de emoção pra quem está na torcida e de concentração para quem está em campo. Durante o aquecimento, os torcedores alvinegros não param de torcer: muitos ali não sabiam como era chegar numa final e os cantos se fazem mais presentes. A torcida do MEC não deixa barato e também faz sua festa com cantos, bandeiras e fogos.
Começa o jogo. A equipe do Botafogo está mais ligada e se lança mais ao ataque, consegue finalizações por cima e jogadas perigosas. Com 10 minutos de partida, numa jogada pelo lado esquerdo do ataque, um cruzamento certeiro para o camisa 9 do Botafogo, José Luiz, completar e marcar o gol de cabeça. Explosão alvinegra na arquibancada. O time do MEC parece sentir o gol e encontra muita dificuldade em se organizar. Numa bola recuada pelo zagueiro, o goleiro Ivanilton se atrapalha e quase dá um gol ao time da Vila Santa Catarina.

Aos poucos, o time do Botafogo começa a recuar e a equipe da Vila da Paz começa a ditar o ritmo do jogo. Cada bola tirada dos alvinegros é como se fosse um gol. A garra é nítida em campo. O MEC consegue chegar de maneira perigosa, chuta de fora da área, mas a bola desvia no próprio jogador e sai.
Aquele que organizava o meio-campo alvinegro precisa sair: o camisa 10, Kaio, passa mal e é substituído. O time alvirrubro chega mais perigosamente em bolas paradas, porém a zaga bem postada do Botafogo afasta tudo e aposta nos contra-ataques, de forma que quase conseguiram um segundo gol em um chute de longe do camisa 7, João Vitor. O jogo continua estático até que, depois de jogada duvidosa (o bandeira não viu se bola saiu de jogo ou não), a bola é colocada dentro da área do Botafogo e o 9 do MEC, Djair, coloca pra dentro do gol: 1x1 na final da Copa Republicana.
Assim que sai o gol, a torcida da Vila da Paz explode. Ao mesmo tempo, começa uma confusão em campo: o juiz expulsa o volante Jean, do Botafogo, alegando que ele o agredira — ainda que, de fora, pôde-se ver que o botafoguense apenas tropeçou e esbarrou no juiz. O árbitro não volta atrás, mantém a expulsão e o clima do jogo esquenta.

Os dois times ficam somente se estudando. Entradas mais duras e muita reclamação com o trio de arbitragem marcam a parte final do primeiro tempo. Na volta para a segunda etapa, o MEC coloca em campo o número 20, Rodrigo, no lugar do número 2, Erickles. Logo nas primeiras movimentações, o jogador que acabara de entrar acerta um feliz chute, de fora da área, no canto esquerdo do gol e vira o jogo para o time alvirrubro. Explosão na arquibancada, a torcida celebra e percebe a importância de estar com um homem a mais em campo e na frente, no placar. 2x1 para o MEC e o jogo muda.

Diferentemente do inicio do primeiro tempo, o Botafogo não se organiza: tenta muitas ligações diretas e o ataque parece presa fácil para uma zaga, que parece ter se encontrado. Todas as vezes que o time da Vila Santa Catarina chega ao ataque, a bola parece “queimar no pé” e não conseguem nenhuma jogada perigosa. As chances mais perigosas são do MEC em bolas paradas e ataques rápidos, mas mesmo assim não conseguem abrir mais um gol de vantagem.

Um lance crucial ocorrera aos 35 do segundo tempo, quando, em jogada de bola parada para o time alvinegro, a bola sobra para o camisa 9 que ajeita para o companheiro de ataque concluir o gol. Festa enorme na arquibancada, porém de nada vale: o bandeirinha já marcava o impedimento — corretamente — na jogada.
Os dois times fazem suas substituições mas o panorama não muda. O MEC consegue uma jogada perigosa de contra-ataque, porém com uma finalização ruim do atacante número 22 — que veio do banco de reservas. O Botafogo abusa das jogadas, pela lateral esquerda do ataque, através do jogador número 6, Rômulo, mas sem muito êxito.
Com seis minutos de acréscimos, o MEC tem um jogador expulso após uma falta dura no meio campo. Nos últimos minutos, o time alvinegro tenta jogar a bola para dentro da área, mas sem sucesso. O juiz apita o final do jogo: iniciando a confusão.

Após o apito final, os jogadores do Botafogo, e sua respectiva torcida, se voltam contra a arbitragem, alegando terem sido prejudicados. A revolta toma conta dos jogadores, que tentam “tirar satisfação”. Os diretores alvinegros apaziguam a situação. Passada a confusão, o MEC pode, enfim, comemorar o título inédito.
Com o 2x1, de virada, em cima do Botafogo, o Mocidade Esporte Clube sagra-se campeão da Copa Republicana 2018 — uma taça nova em sua galeria.

Já o Botafogo termina a copa como vice, com a alegria de ter voltado para uma final e com uma ideia de que, se estruturando e com vontade, no ano que vem podem voltar à decisão e, enfim, conquistar um título após 25 anos. Uma curiosidade se dá ao fato de que o atual técnico do Botafogo estava em campo, pelo time da Vila Santa Catarina, na ultima vez que foram campeões.

O destaque fica por conta do número 20, do MEC, que parece ter estrela: entrou e marcou o gol do título. Após, continuou fazendo partida boa pelo time alvirrubro. O destaque do Botafogo fica para o meio-campista número 8, Bruno, que tomou conta do meio campo e buscou o dar melhor passe para os companheiros.

A Copa Republicana termina após a participação de 64 times. Uma premiação de 12 mil reais é dada ao campeão e 6 mil ao vice. O MEC consegue um título novo em sua galeria, após terem perdido jogos finais nas edições anteriores. O Botafogo seguindo um tabu — sem conquistar títulos —, mas com uma enorme injeção de ânimo para sua torcida, mostrando que a equipe vai tentar alçar voos maiores nas próximas competições.







Ótima matéria parabéns e obrigado por tudo que fizeram estão no caminho certo!!!! A família Botafogo agradece de coração!!