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Dois tabus: um campeão. Mocidade E.C 2 x 1 Botafogo Vl. Sta. Catarina – A História

Na final da Copa Republicana, Botafogo abre o placar, mas fica com um a menos e vê o MEC virar. Com o 2 x 1 feito na sexta (2) o MEC conquista título inédito e o jejum botafoguense continua.


Time do Mocidade na entrada de campo.
Time do Mocidade na entrada de campo.

Dia de final é um espetáculo à parte: tudo que envolve uma final consegue tocar o emocional. Na chegada ao estádio a apreensão botafoguense é nítida. Diretores e jogadores estão com um semblante misto de ansiedade, confiança e nervosismo — não é pra menos. O time da Vila Santa Catarina não chegava a uma final há 25 anos.


O time do Mocidade da Vila da Paz já chega mais tranquilo: estão mais acostumados com disputas finais. O discurso é de respeito ao adversário, porém buscam o título inédito da Copa Republicana, já que, quando chegaram nas finais, sempre saíram derrotados. Em suma, um título inédito para os dois times: o jogo vale muito.



As duas torcidas começam a chegar em peso. Ônibus, carros e motos com os torcedores chegam ao estádio. A festa é linda. Emoção e apoio para os dois lados: a torcida alvinegra traz a alegria de uma possível quebra de tabu, uma união sentida por todos que passavam perto da arquibancada onde eles se alocaram. A alvirrubra traz a confiança de títulos conquistados recentemente (sendo o mais importante a Super Copa Pioneer, cujo time é o atual campeão). A satisfação das duas torcidas é visível e, certamente, não medirão esforços para tentar mudar o jogo.


Torcida do Botafogo faz a festa nas arquibancadas.

Do lado de fora dos vestiários ecoam palavras de incentivo, pedem personalidade e a união dos jogadores.


Tivemos acesso ao vestiário do Botafogo. Todos os dirigentes dão uma palavra, o técnico demonstra confiança e otimismo: “dá para ganhar”. Os jogadores olham um nos olhos dos outros como se pedissem: “corram por todos nós”.


Na saída para o campo, o técnico do Mocidade nos diz: “não se é campeão sem jogar, vamos entrar para ganhar”. As duas equipes entram em campo ao som da festa da torcida e luzes pirotécnicas. Botafogo vem de preto com detalhes em branco e o MEC (Mocidade Esporte Clube) de vermelho com detalhes em branco.


Escalação das equipes para a partida.


Jogadores do alvinegro concentrados.

Momento de emoção pra quem está na torcida e de concentração para quem está em campo. Durante o aquecimento, os torcedores alvinegros não param de torcer: muitos ali não sabiam como era chegar numa final e os cantos se fazem mais presentes. A torcida do MEC não deixa barato e também faz sua festa com cantos, bandeiras e fogos.


Começa o jogo. A equipe do Botafogo está mais ligada e se lança mais ao ataque, consegue finalizações por cima e jogadas perigosas. Com 10 minutos de partida, numa jogada pelo lado esquerdo do ataque, um cruzamento certeiro para o camisa 9 do Botafogo, José Luiz, completar e marcar o gol de cabeça. Explosão alvinegra na arquibancada. O time do MEC parece sentir o gol e encontra muita dificuldade em se organizar. Numa bola recuada pelo zagueiro, o goleiro Ivanilton se atrapalha e quase dá um gol ao time da Vila Santa Catarina.


Momento do gol botafoguense.

Aos poucos, o time do Botafogo começa a recuar e a equipe da Vila da Paz começa a ditar o ritmo do jogo. Cada bola tirada dos alvinegros é como se fosse um gol. A garra é nítida em campo. O MEC consegue chegar de maneira perigosa, chuta de fora da área, mas a bola desvia no próprio jogador e sai.


Aquele que organizava o meio-campo alvinegro precisa sair: o camisa 10, Kaio, passa mal e é substituído. O time alvirrubro chega mais perigosamente em bolas paradas, porém a zaga bem postada do Botafogo afasta tudo e aposta nos contra-ataques, de forma que quase conseguiram um segundo gol em um chute de longe do camisa 7, João Vitor. O jogo continua estático até que, depois de jogada duvidosa (o bandeira não viu se bola saiu de jogo ou não), a bola é colocada dentro da área do Botafogo e o 9 do MEC, Djair, coloca pra dentro do gol: 1x1 na final da Copa Republicana.


Assim que sai o gol, a torcida da Vila da Paz explode. Ao mesmo tempo, começa uma confusão em campo: o juiz expulsa o volante Jean, do Botafogo, alegando que ele o agredira — ainda que, de fora, pôde-se ver que o botafoguense apenas tropeçou e esbarrou no juiz. O árbitro não volta atrás, mantém a expulsão e o clima do jogo esquenta.


Confusão em campo com a expulsão de Jean.

Os dois times ficam somente se estudando. Entradas mais duras e muita reclamação com o trio de arbitragem marcam a parte final do primeiro tempo. Na volta para a segunda etapa, o MEC coloca em campo o número 20, Rodrigo, no lugar do número 2, Erickles. Logo nas primeiras movimentações, o jogador que acabara de entrar acerta um feliz chute, de fora da área, no canto esquerdo do gol e vira o jogo para o time alvirrubro. Explosão na arquibancada, a torcida celebra e percebe a importância de estar com um homem a mais em campo e na frente, no placar. 2x1 para o MEC e o jogo muda.


Rodrigo entra e decide a partida.


Diferentemente do inicio do primeiro tempo, o Botafogo não se organiza: tenta muitas ligações diretas e o ataque parece presa fácil para uma zaga, que parece ter se encontrado. Todas as vezes que o time da Vila Santa Catarina chega ao ataque, a bola parece “queimar no pé” e não conseguem nenhuma jogada perigosa. As chances mais perigosas são do MEC em bolas paradas e ataques rápidos, mas mesmo assim não conseguem abrir mais um gol de vantagem.


Botafogo,c om Bruno, abusa de bolas aéreas.

Um lance crucial ocorrera aos 35 do segundo tempo, quando, em jogada de bola parada para o time alvinegro, a bola sobra para o camisa 9 que ajeita para o companheiro de ataque concluir o gol. Festa enorme na arquibancada, porém de nada vale: o bandeirinha já marcava o impedimento — corretamente — na jogada.


Os dois times fazem suas substituições mas o panorama não muda. O MEC consegue uma jogada perigosa de contra-ataque, porém com uma finalização ruim do atacante número 22 — que veio do banco de reservas. O Botafogo abusa das jogadas, pela lateral esquerda do ataque, através do jogador número 6, Rômulo, mas sem muito êxito.


Com seis minutos de acréscimos, o MEC tem um jogador expulso após uma falta dura no meio campo. Nos últimos minutos, o time alvinegro tenta jogar a bola para dentro da área, mas sem sucesso. O juiz apita o final do jogo: iniciando a confusão.



Confusão no apito final com as decisões da arbitragem.

Após o apito final, os jogadores do Botafogo, e sua respectiva torcida, se voltam contra a arbitragem, alegando terem sido prejudicados. A revolta toma conta dos jogadores, que tentam “tirar satisfação”. Os diretores alvinegros apaziguam a situação. Passada a confusão, o MEC pode, enfim, comemorar o título inédito.


Com o 2x1, de virada, em cima do Botafogo, o Mocidade Esporte Clube sagra-se campeão da Copa Republicana 2018 — uma taça nova em sua galeria.


Título inédito na galeria do MEC.

Já o Botafogo termina a copa como vice, com a alegria de ter voltado para uma final e com uma ideia de que, se estruturando e com vontade, no ano que vem podem voltar à decisão e, enfim, conquistar um título após 25 anos. Uma curiosidade se dá ao fato de que o atual técnico do Botafogo estava em campo, pelo time da Vila Santa Catarina, na ultima vez que foram campeões.


União alvinegra ao final do jogo.

O destaque fica por conta do número 20, do MEC, que parece ter estrela: entrou e marcou o gol do título. Após, continuou fazendo partida boa pelo time alvirrubro. O destaque do Botafogo fica para o meio-campista número 8, Bruno, que tomou conta do meio campo e buscou o dar melhor passe para os companheiros.


Torcida alvirrubra compareceu em peso.

A Copa Republicana termina após a participação de 64 times. Uma premiação de 12 mil reais é dada ao campeão e 6 mil ao vice. O MEC consegue um título novo em sua galeria, após terem perdido jogos finais nas edições anteriores. O Botafogo seguindo um tabu — sem conquistar títulos —, mas com uma enorme injeção de ânimo para sua torcida, mostrando que a equipe vai tentar alçar voos maiores nas próximas competições.


Festa com a tão sonhada taça.


1 comentário


Marcio Rodrigo
Marcio Rodrigo
05 de nov. de 2018

Ótima matéria parabéns e obrigado por tudo que fizeram estão no caminho certo!!!! A família Botafogo agradece de coração!!

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Leonardo Benhossi

Prazer, Leonardo Benhossi! Apaixonado por futebol desde 96 e sempre correndo em busca de algo que me faça viver cada dia mais próximo dele.

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e acredita que não exista nada mais romântico do que o futebol.

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Victor Oliveira

2 de maio de 1996.
Publicitário, amante do futebol e tudo o que o esporte engloba.

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